Seja bem vindo ao Crie a ação já!

Seja uma poesia para acalentar a alma, seja uma música para enfurecer os ouvidos, sejam pinturas em muros para uma possível reflexão, seja uma muda de planta num canteiro de obras, seja qualquer ação que revele uma reação. Não importa se ela é pequena ou grande, qualquer mínima ação é necessaria para uma revolução. Espero que essa página cause discussão e movimentação, e que assim possamos soltar as armas de nossas almas e plantar flores em nossos canhões.

"O SER DO MUNDO É A ATIVIDADE."

Saudações

Revolução, amor!

terça-feira, 11 de junho de 2013

Projeto que dorme na barriga, por enquanto

Imprevistos mais que imprevistos mais que acontecem. Erramos a data do edital do movimento pinte e plante na cidade. Mas não desanimamos [ mesmo o projeto ja tendo passado de mais de um ano só na cabeça], marcamos pro feriado que passou uma volta de bike e distribuição de mudas. Daí mais um imprevisto: trabalhos da faculdade. Depois outro imprevisto: gravidez. É, isso mesmo, estou grávida, no caso, estamos, eu e meu companheiro. É inevitável não pensar nesse momento nas duzentas mil coisas que você acha que faria, caso não estivesse esperando neném. Mas, depois de ler , de ter com meus bons amigos papos a respeito desse momento tão importante na vida de uma mulher, cheguei a conclusão de que imprevistos não são sinônimos de coisas negativas, pelo contrário, é um "te vira" que a vida te dar de uma maneira nada sutil, mas que te fortalece. Meu novo projeto ainda dorme no meu ventre, logo logo estará caminhando pela casa, cheirando flores e me chamando de mamãe. E só isso me importa. pintarei e plantarei com ele, por ele, por um mundo melhor. o mundo precisa mesmo de novos seres pra mudar toda essa era massacrada em que vivemos. O mundo precisa de pais como eu, que não serão iguais a pais como os meus, nem como os pais dos meus. Não que eles tenham sido ruins, longe disso. Mas as coisas mudaram, o mundo mudou, e se tudo der certo mudará ainda mais. Assim prefiro acreditar. Quero fazer isso com meu filho, agora mais do que nunca. e o movimento PP ganhará um novo membro, e isso me faz acreditar que faremos juntos um mundo mais viável. Não sou só eu que estou gerando, muitas amigas minhas também estão, e admiro muito a educação que elas dão para seus filhos. E assim, vamos indo, caminhando, o novo sempre traz o novo. E o novo muda o velho.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

QUEM SABE ASSIM




Ilustração: Marcelo Henrique



Pedalar é um ato de saudade.
Todo saudoso (ou saudosista) sente falta de um tempo aonde chegar levava-se tempo. Não precisamos defender a bicicleta como escudo contra o trânsito. Não se trata disso. As magrelas correm por que livres. Impô-las amarras as desvirtuaria.
Pedalar se faz antes com o coração que com as pernas. É no ritmo ditado pelo peito que nos movemos junto à mágica da correia dentada.
A pulsação leve de quem sente saudade é frágil. Necessário é ter-se carinho com quem se alimenta de lembranças. Uma raiva desenfreada pode destruir tal coração. A violência da pressa assassina o ciclista. Descuidado, desatenção, destinação cronometrada: são todos sintomas dos inimigos de um ciclista.
Somos exercedores de um cíclico ato de lembranças passadas. Preferimos a época onde cair e se arranhar – ainda que gravemente – fazia parte inerente e inquestionável do aprendizado. Sentir dor, fraturar-se, oferecer a pele da face ao asfalto, eram entendidos – naturalizados. Assimilados. Você não abandonava sua magrela por isso. Talvez até a deixasse de canto uns dias. Quem sabe outro pedalasse nela, mas logo voltavam. E agora mais habilidosos, sábios e cientes sobre o que fazer. A luta continuaria.
Antes da urgência hermética de um ar condicionado ambulante, os casais de pedaladores já davam as mãos sob o sol e punham-se a si rir junto à queda da chuva. Era um espetáculo. Ante a queda do outro, aquele que ainda estava de pé corria a pôr a mão sob o queixo do ser ferido: ‘vai passar e vamos prosseguir’.
Havia menos perguntas e mais rotas a serem percorridas. Parece-me que pedalar ajuda na descoberta de novos caminhos. ‘que tal irmos por ali?’. Lagoa do katu, trilhas de maracanaú, subidas de maranguape, areais de sabiaguaba, morros até a chegada na prainha. Por lá ainda estão os rastros dos amantes marcados como pequenas formas geométricas dispostas na profundidade marcante de um fino pneu.
Com um grito empoeirado de quem ficou no armário vendo os carros passarem eu falo em nome das bicicletas: Fortaleza necessita de mais calma, coração e amor. Deve recordar dos dias dos enamorados sujos de barro ou banhados por partículas da cor do ébano emanadas do asfalto. Nem todas as flores morrem quando postas ao vento. Muitas se embelezam inda mais.
Antes das ciclovias, ciclofaixas e paraninfos, antes de mais cálculos, torres de vigília, adesivos e leis – melhor seria mais cuidado. Sobretudo atenção.
Nós estamos aqui e vamos continuar. Para cada um que desiste talvez outro volte, pois pedalar é movimento: é ir e é voltar. Pode-se rasgar nosso estado do Parambú à pancada do mar. Pode-se mesmo ir para bem longe, onde o sotaque é quase outra língua e a fronteira se avizinha. Se tiveres motivo para voltar, portanto vá. As marcas do teu fino pneu estarão te guiando. Sem pressa, como uma magrela, como um amante sentado na beira da pista.
Que a cidade de fortaleza não continue a passar por cima dos seus. E justo os que mais a observam – homens e mulheres no dia e na noite do exercício de pedalar (degustando nossa metrópole pedaço por pedaço. Sem buzinas, sem falar mal dela): o ato supremo da calma, ou até da velocidade suada. Não queremos sempre perfumes e mãos dadas sobre o estofado e volantes. Muitas vezes um guidão nos é suficiente. Pôr a amada no varão, levá-la para longe. Ou, melhor ainda – pedalar ao seu lado vendo os carros passando. Isso é confiança. Contra as tristes estatísticas, muitos se juntam para prosseguir no ciclo das bicicletas. Devemos ser vistos. De nada adiantará exclusivas vias muradas sem a presença do respeito. Sem o arranhar da lógica do sempre limpo, sempre caro, sempre cômodo, permaneceremos vistos tal a faixa da rua que nos cabe – marginalizados, exprimidos, deixados de lado como quem atrapalha, como quem não convêm, como quem não interessa mais.
Saibamos que se pode voltar. Sempre poder-se-á voltar. Vamos continuar girando, todavia mudando. Não precisamos ser Amsterdã (que, aliás, não me convenceu sobre o seu proceder ciclístico. Do contrário, foi-me o extremo do que temo: a bicicleta como um carro pequeno capaz de contornar ruelas e acelerar fundo: ciclistas como motoristas enfurecidos e donos da mobilidade urbana). Podemos ser essa rocha mesma: FORTALEZA, mas amansada pela cor pelo cheiro pelo sal e pelo líquido do mar. Somos – ou já o fomos – por vezes calmos. Há um sol forte lá em cima e nem por isso desistimos. Podemos encontrar uma forma de nos movermos melhor por nossas ruas e avenidas inchadas. E não digo pedalando. Falo: respeitando.



Texto: CASIMIRO ALBUQUERQUE

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O homem que sozinho plantou uma floresta do tamanho de 550 maracanãs.

http://www.hypeness.com.br/2013/04/este-homem-plantou-sozinho-uma-floresta-do-tamanho-equivalente-a-550-maracanas/

Quem foi que disse que uma única pessoa não modifica nada? Imagina se várias fizessem isso. Sim, são coisas como essas que me fazem acreditar que ainda existe luz ao fim do túnel. Talvez não precisemos chegar lá no fundo. Ah como seria bom se o planeta parasse de pensar em consumir e começasse a viver de verdade, longe da prisão que o capital nos causa. Uma educação libertadora talvez modificasse muitas coisas.
Liberdade,
livre,
liberto,
libertação.
Precisamos e necessitamos ser livres de tudo que criamos e que nos aprisiona. Dizem que o homem muda a partir de suas necessidades, confere? Então? Voce não sente essa necessidade gritante da coletividade deixar de adotar esse modo de vida DOENTIO?

Uma pessoa faz a diferença sim.

terça-feira, 26 de março de 2013

Montanhas Bolivianas

(texto retirado do meu diário de uma viagem de 2010)

Entre montanhas senti em meu rosto o vento forte e gelado da natureza, livre e nua como só ela poderia ser.
A morte me pareceu tranquila, alí, ela não me afligia, embora tudo ao redor cheirasse a sangue e lágrimas de milhões de mortos em dias de exploração e escravidão.
Pensei em todos que amo com muito amor. Um amor despreocupado, amor de bicho, amor que une mesmo longe, amor que não morre e que reconhece. Lembrei dos macacos que vi no zoológico brincando, insultando, roubando a atenção. Ali estava amor, o mais puro que vi.
Pensei no quanto, por vezes, não amamos, o quanto nos afogamos na sonoridade irritante das cidades, do papel (dindin) e do que nem percebemos o que é. Tive a sensação de nada saber do amor.
Mas naquele instante, em cima de um caminhão boliviano, dividindo o mesmo espaço/momento/tempo com meus companheiros Thyci, Davidi e Jão, o vento soprou meus cabelos e minha roupa, o céu estava próximo de nossos pensamentos, assim como o sol a se esconder pintava o azul-céu de rosa chocante. Alí, por um instante, eu senti o amor.
E todo mal se desfez, não havia mágoa ou dor. Pensei ser a felicidade, mas não sei. Não sei se as palavras equivalem as idéias e se as idéias equivalem ao sentir. Eu sinto saudade, sinto a dor de outrem, sinto a mudança junto as montanhas passarem. E quero pintá-las, desbravá-las, me vestir delas. Vejo desenhos, seios, braços, rostos, nus e pássaros.
Existe um prazer estético que não entendo, existe uma distorção de intenções. Existe uma falta de amor em nossas relações com o mundo que também não entendo.  Existe um monte de coisas, mas, por vezes, parece mais fácil optar pelo sofrimento, pelo imediato, por falta de tentativas por algo melhor.


Daniele L. Jucá

Edital Criativo e a possibilidade do Movimento PP

Segue abaixo o Link para o edital criativo da vereadora do psol Toinha Rocha, e meus parabéns a ela por essa iniciativa, no edital ela explica o por que de lançá-lo e de onde vem essa grana que será bem gasta:

http://toinharocha.com.br/sites/default/files/documentos/edital-cidade-em-movimento-1.pdf

é um edital muito livre e muito agradável, ah se todo edital fosse assim.

Bem, há dois anos atrás falamos em formar um grupo que aplicariam um tal de terror poético na cidade gravando nos muros e paredes frases simples e de fácil entendimento que cause alguma reflexão e tire as pessoas por alguns minutos da correria mental desenfreada do dia a dia, e também plantar mudas por Fortaleza, já que nossa cidade carece de verde. Por isso o nome Movimento PP, Pinte e plante a cidade.
E embora não ganhemos esse edital, começaremos a botar o plano em prática e isso já é muito animador: começar. E, aliás, esse blog foi criado na tentativa de postar as ações feitas pelo grupo PP. E olha que coisa, acabou que não se concretizou por motivos de, bem, aqueles que todos nós enfrentamos nas cidades "grandes": embaraço, ou melhor ainda, embassos de origens diversas, caos. Mas, acredito que dessa vez saia, com ou sem edital. Claro que ganhando será bem melhor né? Afinal, teremos uma mínima renda para comprar os materiais e nos deslocarmos rumo as ações. Compartilho minha felicidade com voces em voltar a pensar e botar em prática essas idéias, e compartilho também o edital para quem quer que seja botar as suas idéias em prática também. Precisamos aproveitar bem essa grana destinada a arte e mobilidades culturais na nossa cidade, pois, quando não bem aproveitada essa grana volta e no proximo edital vem bem menos dinheiro. E vale lembrar que é bom fazer algo por amor, por vontade, e não por dinheiro. Senão, o papo será sempre mais do mesmo. Vamos mudar né? Não precisamos ser tradicionais e fazer tudo que as outras gerações passadas fizeram. Podemos tentar entender a atualidade e mudar de tática, sem repetir os mesmos erros. Talvez não vejamos tudo mudar, mas podemos dar uma força na mudança.

Abraços de esperança,

Daniele L. Jucá


domingo, 9 de setembro de 2012

Artesanato índia pitaguary



  1. Mãos que tocam e transformam
    Natureza em utensílios,
    Em adornos, em enfeites.
    Em sustento para os filhos.

    Uma arte criativa
    Feita com dedicação
    Ensinada e repassada
    Geração por geração.

    A natureza oferece
    Matéria-prima em fartura
    E seu uso nos permite
    Revitalizar a cultura


    E por falar em natureza...
    Viva ela que dá vida!
    Presente de deus Tupã,
    Mãe generosa e querida...

    Nela tem a carnaúba
    Planta útil e faceira.
    Palha, raiz, tronco, talo
    Além da sombra e da cera.

    Da palha tira o tucum
    Que tem muita utilidade:
    Se faz cordas para adornos
    Trajes pra comunidade.


    Da raiz se faz remédio,
    Do tronco, casas e bancos.
    Do talo se faz os jarros,
    Que são lindos sejam francos.

    É a “árvore que arranha”,
    (significado em tupi)
    Planta querida e farta
    Na terra pitaguary.

    Várias formas de sementes
    Também temos para usar
    Médias, grandes, coloridas...
    Para em arte transformar.

    Tem mulungu, tem linhaça,
    Mucunã e jiriquiti,
    Pau-brasil e sabonete
    Nas matas pitaguary.

    A cerâmica é nosso orgulho,
    Um símbolo de resistência
    Uma herança cultural
    Para a nossa descendência.

    Água, areia e argila,
    Mãos ágeis, habilidosas...
    Fazem parte da receita
    Pra criar peças formosas.

    Potes, pratos e moringas,
    Alguidares e panelas.
    O artesão pensa e molda,
    Cria jarros e gamelas.

    Temos também quem produz
    Belas bolsas e peneiras,
    E se procurar um pouco
    Vai achar quem faz esteira.

    Temos fibra natural,
    Que pode ser colorida,
    Transformada em artesanato
    Vira um meio de vida.

    Nem todos os artesãos
    Fazem peças pra vender.
    Muitos deles só produzem
    Para si, e por prazer.

    Pedra, bambus e penas
    Viram peças de valor.
    Mas isso só é possível
    Se unir arte e amor.

    Por aqui eu vou ficando
    Já deixei o meu recado,
    Quem quiser vir conferir,
    Pode vir, tá convidado.

    Mary Pitaguary

terça-feira, 15 de maio de 2012

informação desnecessária em demasia
causa agonia
leva a apatia.
meu corpo ta pedindo
um pouco menos
de tudo isso
que eu ando comendo.
não tô digerindo nada
nem pessoa nem cocada.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A FRATERNIDADE NÃO É UM  MITO, vídeo produzido por Bárbara Viana, que captura as emoções de um espaço em construção intitulado Espaço Casa. Esse espaço nasceu de uma idéia de reconstrução de uma casa (casa de Dalice), que necessitava tanto bancar seus custos, como fazer algo que juntasse todos os bons amigos e advindos numa arte só. E daí se da a mescla de muitos quereres e fazeres do bem. Eu costumo dizer que esse espaço é fruto da muita boa vontade desses seres que cultivam esse momento compartilhado. E aí reunem-se artes de todos os tipos: poesia, música, teatro, artes plásticas, culinária, boemia e amizade. Afinal, a amizade é uma arte e das mais aplicadas.  A ação é importante em todos os ramos de nossas vidas. Ela é transformadora e torna o apenas imaginável em ato real.